Essa tal causalidade

Publicado em 22/01/2012

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Olá pessoal. Tudo certo?!

Aproveitando a folga do fim-de-semana, retorno, um pouco, a filosofia.

Você consegue saber se um homem é inteligente pelas suas respostas. Você consegue saber se um homem é sábio pelas suas perguntas. Naguib Mahfouz

No post de hoje, falo sobre causalidade.

Por que “Causalidade” é um tema importante?

Uma das formas mais eficientes de fugir, ou evitar, o engano é tentar identificar/estabelecer a causalidade entre eventos.

Dizemos que há relação de causalidade quando a ocorrência de um evento (causa) implica na ocorrência de outro evento (efeito).

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No dia-a-dia, estabelecemos essa relação com muita freqüência. É importante para que possamos entender como o mundo funciona e como podemos/devemos agir para continuar. Sabemos, por exemplo, que o fogo queima (efeito) porque gera muito calor (causa).

O problema é que demonstrar essa relação nem sempre é tão simples.

Muitas vezes, no lugar de causa-e-efeito, o que de fato existe é apenas uma correlação. Ou seja, percebemos que o evento (supostamente) efeito ocorre normalmente quando também ocorre o evento (supostamente) causa. Entretanto, não há causalidade. Apenas ocorrência comum, muitas vezes disparadas por um outro “evento-causa” até então desconhecido.

Confundir correlação (muitas vezes apenas aparente) com causalidade é a raíz das falácias. A maioria dos políticos é corrupta (há uma correlação). Entretanto, isso não significa que todo político seja corrupto (não há causalidade).

A propósito, uma falácia é exatamente isso. A tentativa de demonstrar relação de causalidade entre dois eventos quando essa, de fato, não existe.

Buscando a causa completa

Uma boa opção para evitar a armadilha dos argumentos falaciosos é tentar verificar se um “evento-causa” é realmente suficiente para disparar o “evento-efeito”. Com isso, chegamos, finalmente, a uma combinação. Observe:

 

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Para muitos “eventos-efeito” há a necessidade, natural, de mais de um “evento-causa”. Por isso, é irresponsável e falacioso propagar apenas uma causa como “completa”. Por exemplo, não podemos dizer que escrever testes de unidade nos faz ter software com mais qualidade, escrever testes É um evento causa, mas não é suficiente.

Da mesma forma, quando examinamos alguns cenários com mais cuidado, identificamos que um evento-causa, identificado precocemente, não consegue manter sua relevância  e deve ser desconsiderado. Afinal, manter essa “causa” seria também uma fundação falaciosa.

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E assim, mais uma vez, fica evidente, a necessidade da reavaliação.

O refinamento, ou melhor, a correta identificação de causa e efeito nos ajuda a evitar resultados indesejados pelo impedimento da ocorrência de eventos causa. Ou ainda, podemos assegurar a repetição de um efeito através do fomento da causa correta.

Causalidade como ferramenta para resolver problemas e/ou fomentar oportunidades

Mudemos, por hora, nosso foco. Se pedirmos para alguém relacionar um conjunto de problemas/situações que estejam causando algum tipo de prejuízo/descontentamento, é provável que recebamos uma relação assim:

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Disso, percebemos uma série de ações para mitigar esses descontentamentos. Entretanto, muito pouco resultado real é obtido. Razão: Não foi estabelecida relação de causalidade.

Imagine que façamos esse esforço e identifiquemos essa estrutura:

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Os “problemas E e F”, embora reais e percebidos, são “eventos-efeito”. Fazer qualquer coisa para mitigar esses efeitos ou é ineficiente, ou abre espaço para ocorrência de um outro problema similar.

A solução consistente é sempre atacar os problemas que sejam “eventos-causa”.

Nessa situação, em específico, todos os esforços deveriam se dirigir a resolver o “problema A”. Percebe?

Estabelecer relações de causalidade para nossos problemas também permite o exame racional da “suficiência de causas”. Por meio disso, identificamos “problemas ocultos” que precisam ser considerados e resolvidos.

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Obviamente, todo esse raciocínio empregado para problemas/descontentamentos é igualmente válido para benefícios e oportunidades.

A identificação da causalidade está na base de outro conceito importante: o planejamento. Quando combinamos causalidade com análise de forças, fraquezas, oportunidades e ameaças para uma organização, elaboramos o planejamento estratégico.

Ou seja, quando temos um conjunto de “eventos-efeito” que desejamos incentivar/evitar, conseguimos isso através do incentivo positivo/negativo a seus respectivos “eventos-causa”.

Quando a causalidade não funciona

Embora o exercício da causalidade seja algo útil, nem sempre é possível. Jobs disse, em seu famoso discurso para formandos de Stanford, que muitas vezes não conseguimos identificar “causa-e-efeito” antes de fazer as coisas/escolhas. Por isso, o importante é trabalhar duro e, só depois, ver os benefícios disso.

Nesses casos, precisamos e devemos fazer as coisas apenas por acreditar que elas sejam corretas. Para isso, obviamente, devemos ter claros quais são nossos objetivos e valores (principalmente).

Como diria Oscar Wilde,

A experiência é o nome que damos a nossos erros.

De qualquer forma, para que possamos aprender, é sempre útil rever o passado e estabelecer as relações de causalidade. Se não garantimos sucesso, temos garantia de aprendizado.

Era isso.

E você, o que acha?

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