O Olá pessoal. Tudo certo?!
Nessa útltima semana, tive a oportunidade de conhecer, através dos meus amigos @renatolorandi e @jjrigotti, o excelente trabalho de Lawrence Kohlberg.
O centro do trabalho dele está no reconhecimento de que pessoas têm estágios de desenvolvimento moral diferentes. Logo, em função disso, reagem de forma diferente frente as questões do dia-a-dia.
Esse post fala desse trabalho.
Lawrence Kohlberg constatou que há seis estágios de desenvolvimento moral, divididos em três grupos:
Ainda segundo o trabalho dele, todos passamos, naturalmente, por esses estágios. Ou seja, ninguém nasce no estágio 3, por exemplo. Todos nascemos com nosso desenvolvimento moral baseado em Castigo e Obediência.
Não há relação entre idade e desenvolvimento moral. Pessoas morrem sem chegar perto do Estágio 6.
Para entender melhor o que cada um desses estágios significa, vamos analisar cada um deles isoladamente.
Quem está nesse estágio tem seu sistema de valores e auto-percepção onde as atittudes estão relacionados ao fato de haver, ou não, castigo.
Estando nesse estágio de desenvolvimento, não avançamos o sinal vervelho por termos medo de sermos flagrados por um policial. Entretanto, quando tivermos certeza de que não seremos punidos, avançamos.
Crianças costumam ter esse perfil. Por isso, inicialmente, precisam receber exatamente esse direcionamento.
Infelizmente, muitos adultos AINDA estão nesse estágio. Quantas pessoas conhecemos que, quando têm certeza da impunidade, agem de forma desonesta.
Pessoas nesse estágio de desenvolvimento moral precisam de comando e controle (provocando o @giovannibassi).
Esse estágio deveria ser superado ainda na infância, mas, quantos adultos conhecemos com padrões de comportamento que destacam essa linha de pensamento moral.
Quem está nesse estágio persegue seus próprios objetivos e interesses deixando os outros fazerem o mesmo.
Nesse estágio, há “uma-mão-lava-a-outra”, o “jeitinho”, a lei de Jerson.
Infelizmente, esse estágio está associado diretamente a classe política, no Brasil. Percebendo que essa “classe” é apenas uma amostra da população, então, estatisticamente, podemos dizer que esse é o nível de desenvolvimento moral da sociedade brasileira.
O mais impressionante é que este estágio é “superior” ao anterior.
Repare, nesse estágio, toleramos as “infrações” dos outros por entender que eles também podem/devem tolerar as nossas.
Nesse estágio, valorizamos, confiamos, cuidamos e somos leais a quem pertence ao nosso grupo. Este estágio de desenvolvimento moral implica na existência de um “nós” e “eles”. Onde, nós estamos certos, eles estão errados; Nós somos bons, eles são maus; Nós somos competentes …
O importante, aqui, é ser aceito. Quem está nesse estágio acata as opiniões do “partido”, da “panelinha”, do “grupo de discussão”, da “igreja” e condena qualquer coisa que venha de fora.
Nesse estágio, os julgamentos são baseados na ordem social, nas leis, na justiça e no dever. Quem está nesse estágio realmente acredita que a lei, a ordem social, a justiça e outros valores são reais, são partes do gênero humano.
Nesse estágio, na medida que evoluímos, entendemos que valores, direitos e princípios formam a base das leis e as transcendem. Entendemos que há algo maior que o grupo.
Nesse estágio, entendemos qu valores são universais, que os conceitos de certo e errado não foram definidos para controlar a sociedade. Mas, são inatos.
Nesse estágio, procuramos o bem do todo e, por isso, questionamos as leis que não estão de acordo com esses direitos. São os loucos que “questionam o sistema”, pelo aperfeiçoamento do sistema em favor do bem comum.
Nesse estágio, indivíduo age movido por princípios universais baseados na igualdade e no valor da vida humana.
Pessoas nesse estágio buscam o bem comum. Ou seja, o melhor para todos.
Ainda de acordo com Lawrence Kohlberg, o desenvolvimento moral obedece a determinados princípios. Veja:
Estamos em tempos do “politicamente correto”. Para mim, trata-se de uma encenação de “Ética e princípios universais” por parte de indivíduos que, na maioria dos casos, ainda vive “Troca Instrumental”. Consequência: estamos condenando o “falar errado”, mas estamos fazendo pouco a respeito do “fazer errado”.
Ética é um conjunto de valores. Quando dizemos que uma pessoa, ou empresa, é ética, nos referimos a seus valores.
Se meus valores E MINHAS ATITUDES estão de acordo com determinado estágio de desenvolvimento moral, então, isso é ética.
Valores são observados a partir do estágio 4. Logo, antes disso, não podemos identificar como ética qualquer pessoa (ou empresa formada por pessoas) que estejam em estágios mais baixos.
Identificar o estágio em que nos encontramos é uma excelente oportunidade para que possamos observar as características que norteiam o próximo estágio. É uma oportunidade de promover o tal “desequilíbrio cognitivo”.
Reconhecer o estágio de desenvolvimento moral nos outros é uma excelente oportunidade de encontrarmos referências para o nosso desenvolvimento. Ou ainda, perceber como “falar a língua” do outro – promovendo, no outro, o “desequilíbrio cognitivo” que ele precisa para evoluir.
O desequilíbrio cognitivo se dá pelo “questionamento moral”.
Afinal, qual é o seu estágio de amadurecimento moral?!
Era isso.
Sempre interessante pensar em modelos discretos para pensamentos filosóficos, porém acho que ele acaba por simplificar algo que tem muito mais variáveis que acabam se perdendo no modelo discretizado…
Fora o fato que mesmo estando digamos assim em um estágio avançado da escala, acredito que invariavelmente todos temos momentos de decisões/pensamentos de estágio menos evoluidos….
Mas bom saber que não sou o único louco que fica pensando nisso hehehehe
Eu discordo que o castigo e a obediência são estágios obrigatórios, e que o comando e o controle sejam a saída pra sair desse estágio. Eu daria outro nome pra esse momento onde a pessoa ainda demonstra mais preocupação com si mesma do que com o outro, seguindo um instinto. E acho que é possível evoluir para algo melhor com base no exemplo, sem comando, e sem controle.
Vejo quem mantem-se nesse estágio enquanto adulto como uma anomalia. IMO, demonstra amadurecimento tardio, um certo retardo emocional (sem intenção de ser pejorativo).
Giggio,
Segundo o autor, castigo e obediência é um estágio de desenvolvimento inerente ao ser-humano. Nascemos assim para, depois, evoluirmos.
Ainda segundo o autor, pessoas nesse estágio precisam de comando e controle até que tenham um desequilíbrio cognitivo suficiente para que se desloquem para que advenham para a “Troca Instrumental”.
Como destacado, para o autor, indivíduos não conseguem entender o modo de funcionar de estágios acima mais do que um nível onde se encontram.
Não tenho formação para dizer se tudo isso está certo. Mas, baseado em observações empíricas, faz todo o sentido.
Entendi o que o autor falou. Só que discordo. Como disse antes, o exemplo pode motivar as pessoas a melhorar, sem necessariamente precisarmos do comando, controle e punição. Acho que a mesma pessoa pode passar por situações onde foi punida, ou aprendeu sozinha pelo exemplo. E acho que quanto mais liberdade ela tem, mais chance tem de aprender por exemplo.
Isso também não faz todo o sentido?
Por fim, a questão de nós e eles versus uma ética universal já era discutida muitos séculos atrás pelos filósofos. Alguns chamam isso de moral e ética. Ou ética relativa e ética absoluta. O Leonardo Boff tem uns textos bem interessantes nesse lado.
Platão em A Republica demonstra que a ética relativa pode ter muita lógica, ainda que seja prejudicial.
Fiquei curioso. Discorra mais sobre a referência para “A república”.
Na Republica ele discorre sobre a lógica relativa. Tem uma passagem que ele fala sobre a guerra, como sendo justa quando uma nação precisa crescer. Isso foi a milhares de anos, e esse era o pensamento da época. É a típica aplicação da lógica relativa.