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Work In Progress (Por que eu ainda tento escrever códigos incríveis?!)

Olá pessoal. Tudo certo?!

Nesse post, gostaria de falar um pouco sobre os “trabalhos nossos de cada dia”. De certa forma, é um relato/desabafo sobre a forma como vejo as coisas.

Perceba, este é um post opinativo (e qual não é?!). Ele reflete a forma como eu percebo meu trabalho. Por isso, não estou (nem desejo estar) condenando ninguém que veja as coisas de uma forma diferente.

Se tiver vontade, leia! Se puder, comente!

Um motivo …

Você gosta de Pink Floyd? Eu adoro! Tempos atrás, escrevi um relato pessoal – um tanto emocionado –  sobre o show do Roger Waters em POA.

Outro dia, em um desses “acessos de fã”, comprei uma “Deluxe Experience Edition” do álbum The Wall. Para meu deleite, encontrei ali:

  1. o álbum na íntegra (óbvio);
  2. algumas execuções live (da turnê Is There Anybody out There?);
  3. Documentário, fotos e vídeos;
  4. quase todas as músicas do álbum com status “Work in progress”.

Esse último, em especial, me emocionou e me fez pensar um bocado na vida. Trata-se de versões prévias, que ainda sendo trabalhadas (dahn!) das músicas que iriam formar um dos maiores clássicos da história do rock.

O que há no caminho …

O que era diferente nas versões work in progress?! Bem, quase tudo. Arranjos, letras e intenções. Eu, pessoalmente, arrisco dizer que algumas versões “work in progress” funcionam melhor, para mim, que as versões finais.

O que eu aprendi?! Mesmo obras de arte não “nascem prontas”. Você tem uma ideia e a coloca em prática. Então, sente o resultado. Revisa! Ajusta! De certa forma, você passa a “conversar” com sua obra.

Criação, para mim, é um processo iterativo. Criação verdadeira, para mim, é buscar melhorar o que já está bom (já disse que odeio a expressão “O ótimo é inimigo do bom”).

Nosso trabalho, nossa expressão, nossa identidade

Temos a necessidade de expressar nossas aspirações e nossos sentimentos. De certa forma, nosso trabalho é a nossa arte. É uma forma de expressão.

Para mim, meu código é minha forma de expressão. Meus posts são minha expressão. Minhas palestras são minha expressão. Meus diagramas são minha expressão. Óbvio que quero aprovação dos outros. Mas, acima de tudo, persigo, insistentemente, a minha aprovação.

Tempos atrás, estive na Europa. Lá tive a honra e oportunidade de conhecer algumas das mais belas expressões da humanidade. Vi edificações que demoraram séculos para ficarem prontas. Você consegue conceber alguém trabalhar a vida inteira em algo sabendo que não verá a conclusão?! Pois bem, eu não conseguia. O que eu conclui?! Percebi que quando as pessoas não conseguem concluir o todo, realmente cuidam dos detalhes. Aliás, vi que obras gigantescas e incríveis são formadas de partes minúsculas ainda mais incríveis.

Entendo que o meu trabalho é o meu legado. Eu persigo o grandioso. Acredito que fazer algo grande me faz maior. Entendo que o grande incrível é uma composição de pequenas partes ainda mais incríveis.

Paradoxos aparentes – quando toda escolha é uma renúncia

Outro dia, um amigo me disse: 

Elemar, ninguém escreve no ritmo que você escreve. Aliás, ninguém lê no ritmo que você escreve.

Em outras palavras, a mensagem era: “Para ser mais lido, você precisa escrever menos.”. Entendi, mas, por agora, não estou pronto para mudar. Há muito para dizer e não vou deixar de fazer isso. Mesmo que, em última instância, o que eu diga faça eco apenas em mim mesmo.

Posso dizer o mesmo com relação a minhas reflexões. Não quero e nem aceito limitantes. Odeio e repudio o imposto. Não quero e não vou aceitar ser/viver nada menos do que posso.

Sou obstinado em pensar que minha maior obra será sempre a próxima. Meu melhor código será aquele que ainda não escrevi. Busco sempre ser melhor amanhã do que sou hoje.

Se toda escolha é uma renúncia, então, renuncio tudo aquilo que me limita. Renuncio a acomodação. Renuncio a busca da aprovação dos outros.

Sometimes it’s better let it go

Outro grande amigo disse, outro dia:

Nossos projetos devem ser nossos impulsionadores. Eles nos puxam/empurram e isso é muito bom! Entretanto, as vezes, ultrapassamos nossos projetos. Passamos literalmente a ser maiores que eles. No lugar de nos impulsionarem, eles nos prendem. Nesses momentos, o melhor a fazer é “let it go”.

Em algum momento, temos que aceitar a conclusão de um projeto/fase em nossas vidas para abraçar novos desafios. Penso que foi exatamente isso que aconteceu com o Pink Floyd e o The Wall. Acredito que, em dado momento, alguém disse “Enough! Já está muito bom. Há formas melhores e novas de expressar o que sentimos.”

Acho que isso ocorre com qualquer projeto/obra. É preciso saber quando parar. Entretanto, o momento para parar é quando aquilo que outrora nos mpulsionava, nos limita. Nem um pouco antes.

Temos que celebrar nossas vitórias. Comemorar nossas conquistas. Mas, no fim de tudo, levar memórias, aprendizados e cicatrizes.

Por que escrevo bons códigos

Como disse Einstein:

A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.

Não sei, nem tenho a pretensão de afirmar, se o código que escrevo hoje é bom. Também não sei afirmar isso com relação a meus posts ou palestras. Não sei se sou um bom amigo. Nem mesmo, sei dizer se sou uma boa pessoa.

Posso dizer – afirmar até – que estou em “Work In Progress”. Estou tentando fazer melhor hoje o que fiz ontem.

Não sei se há vida após a morte. Então, não quero renunciar muitas vezes a escolha de fazer o melhor que posso hoje.

Concluindo

Li e reli esse texto. Sei que talvez ele pareça um pouco sem nexo. Entretanto, ele é expressão de como percebo as coisas hoje.

Por que eu tento escrever códigos incríveis?! Porque, para mim, não há outro tipo de código que compense. Simples assim!

Não terceirizo a gestão de minha carreira. Não terceirizo a gestão de minha vida. Afinal, ainda não sou versão final. Sou “work in progress”.

Era isso.

10 Comentários em “Work In Progress (Por que eu ainda tento escrever códigos incríveis?!)

  1. Breno Ferreira
    17/06/2012

    Muito bom o post Elemar!!! Parabéns!
    Realmente, estamos todos num estado de “Work in Progress”. Acredito que, quando alguém passa a ser arrogante o suficiente para dizer que não é possível melhorar, é o inicio da decadencia do indivíduo.

    Abs

    • Concordo com o Breno, as vezes eu falo “brincando”: Se não tem mais para onde evoluir então se mata que é melhor :D
      Eu vejo que o problema do “work in progress” é que as vezes a maioria fica cansada, e onde chegou está bom, pode servir pra eles, mas acho isso um absurdo.

      Parabéns pelo post ;)

      Abraços

  2. freneda
    17/06/2012

    FODA! :~)

  3. Mais uma vez se superando hein rapaz. Como cantou o Raul Seixas, eu prefiro ser essa metamorfose ambulante. We´ll be always “work in progress”.

  4. Robson Castilho
    17/06/2012

    Mais um excelente post do Elemar “Metralhadora de Posts” :)
    Infelizmente, faltam mais pessoas com esse tipo de pensamento…
    Como bem disse o Márcio ai acima (eu tbém já usei frase parecida): “se não tem mais pra onde evoluir então se mata!”.
    []s

  5. Elemar, já comecei gostando do post quando você inicia com a “sobrecarga de pontuações”: “?!”, tal como costumo fazer e poucas vezes vi pessoas usando igual…é como um “questionamento entusiasmado”, né?! ;-)

    Ao longo do texto, também gostei da preocupação entre “obra de arte” e “estado da arte”…todos nossos “produtos de trabalho” deveriam refletir nosso cuidado e assinatura pessoal!!

    Parabéns e até breve!

  6. Henrique Andre Felipe da Costa
    18/06/2012

    “No lugar de nos impulsionarem, eles nos prendem. Nesses momentos, o melhor a fazer é “let it go”. Essa foi umas das melhores frases com relação a trabalho que ja li, afinal muitas vezes nos acomodamos em projetos que nao agregam mais geralmente por medo de arriscar algo novo, ou seja, sair da zona de conforto que criamos.O ideal supremo do trabalho é nos dar a identidade de quem somos, afinal o que você faz geralmente é o que você é, se esta infeliz com sua profissão você esta infeliz com você mesmo e deve reconsiderar se esta no rumo certo e talvez arriscar algo novo.

  7. Brandão
    18/06/2012

    Infelizmente é verdade eu mesmo não consigo acompanhar a diversidade e a frequência dos seus posts, mas isso é ótimo, para você, para um público diversificado que venha aqui ler, e não acho de maneira alguma que você deva diminuir! Tudo fica aqui registrado e pode ser revisitado. Já voltei aqui diversas vezes para ler algo que na época eu não consegui e vou continuar voltando assim como sei que o seu trabalho continuará sendo desenvolvido da melhor maneira.

  8. Leza Morais Lutonda
    18/06/2012

    Então, nós somos versão beta!
    Mais um post excelente!

  9. luciana
    21/06/2012

    O seu post é muito reflexivo.
    Refletir sobre quais ptos e como podemos evoluir no trabalho, vida realmente nos faz melhor hoje do que ontem.

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Publicado às 17/06/2012 por em Post e marcado , .

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