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E o inferno (NÃO) são os outros…

Olá pessoal. Tudo certo?!

No último post, confessei minha dificuldade para receber críticas. Como disse, a melhor forma de receber uma crítica, para mim, é através da escuta ativa. Acredito também que toda crítica esconde uma oportunidade de aprendizado – indenpendente da forma como ela seja feita.

Nesse post, pretendo falar sobre o outro lado da história. Quero falar sobre quem faz uma crítica. Vejamos esse texto de Schopenhauer:

Assim como o homem carrega o peso do próprio corpo sem o sentir, mas sente o de qualquer outro corpo que quer mover, também não nota os próprios defeitos e vícios, mas só os dos outros.

Quantas vezes não cometemos esse “pecado”. Se não fazemos um bom trabalho, a culpa é do gerente, colega, tecnologia, metodologia, astrologia, mas nunca nossa. Enfim, o inferno são os outros.

Schopenhauer continua:

Entretanto, cada um tem no seu próximo um espelho, no qual vê claramente os próprios vícios, defeitos, maus hábitos e repugnâncias de todo o tipo. Porém, na maioria das vezes, faz como o cão, que ladra diante do espelho por não saber que se vê a si mesmo, crendo ver outro cão.

Ou seja, a tal projeção. Aquilo que criticamos nos outros são, com frequência,  nossos traços mais marcantes.

Pare e pense! Quantas das críticas que você profere não seriam dignas de serem dirigidas a você?

O que eu sei é que eu era um crítico agressivo da forma como meu pai me criava. Entretanto, hoje me percebo adotando exatamente as mesmas práticas dele.

Para ser sincero, acho que gastamos (eu incluso) tempo demais tentando definir alguém, ou alguma coisa, para culpar; Pouco tempo para tentar identificar a causa; Quase nada para resolver o problema; Nada para previnir uma nova ocorrência.

Quando falei sobre “aceitar críticas”, ouvi algumas considerações sobre “como se proteger da crítica gratuita (injusta ou agressiva)?!” … Mas, fico pensando: afinal, qual seria a utilidade disso?

Penso que damos muita consideração para coisas que não podemos resolver. Precisamos aceitar: não podemos modificar a atitude do outro! não temos controle sobre ela! CONTROLAMOS APENAS A NOSSA ATITUDE.

Penso, amigos, que essa seja a chave para aceitar e proferir boas críticas: aceitar que temos controle direto apenas sobre nossas (re)ações. Que tal exorcizar alguns de nossos demônios e aceitar que, somente talvez, o inferno não são os outros.

Era isso.

6 Comentários em “E o inferno (NÃO) são os outros…

  1. Ricardo Augusto
    25/07/2012

    Sartre discorda.
    Pessoalmente, não discordo do que você diz. Mas é engraçado como os críticos agressivos, e pessoas extremistas (para o bem, ou não) são sempre as mais levadas a sério, admiradas ou vistas como experts, como quem sabe bem do que fala, etc (mesmo que não seja verdade).

    • elemarjr
      25/07/2012

      Pois é! Na verdade, como diria um amigo chegado: a “polêmica” vende mais livros. Nenhum “guru” seria “guru” falando obviedades. O simples exercício do bom senso, não é tão aceito quanto deveria ….

      Entretanto, concordemos, estamos, novamente, vendo o inferno nos outros. ;-)

    • elemarjr
      25/07/2012

      Interessante você trazer Sartre para a discussão. Justo, também. Afinal, estou “discordando” de uma frase dele.

      Repare que ele cita que nossa existência no mundo só é percebida através dos olhos dos outros. Isso é genial! De certa forma, reforça a ideia de que é essa “percepção” que nos denuncia da forma como realmente somos…

      Enfim .. filosofando

      • Ricardo Augusto
        26/07/2012

        “Deus está morto!” – Mais uma frase de efeito para a discussão filosófica.
        Sartre acaba resvalando na mesma corrente do existencialismo de Nietzsche e caindo no alemão, sabemos que “Deus está morto” é a maior expressão da existência do homem sem um modelo superior, mas como um ser formado através de seus próprios princípios, valores e modelos. O próprio homem como deus.
        Nietzsche dizia ainda que, com a morte de deus, estaria a responsabilidade do filósofo de definir novos valores, para que os homens não caiam no relativismo (onde nada é palpável ou seguro).
        Como a responsabilidade de guiar a maré é muito superior ao que alguém (normalmente) suportaria, seu pensamento sempre foi uma espécie clara de utopia, e o homem continuaria negando tais valores e princípios, precisando de regras e definições de outros dizendo-lhes como julgar o mundo e as pessoas, como entender as coisas à maneira pré-definida.
        Você consegue perceber a analogia dos fatos? Não seria o guia dos homens ”conduzíveis” o sujeito que critica ferozmente, e que tem personalidade e confiança para empurrar a sua crítica e sua opinião de maneira agressiva e irrefutável (talvez não pela inteligência da colocação, mas pelo tom)?!
        Cada vez mais o cadáver do deus citado por Nietzsche fede mais, e está cada vez mais difícil ignorar o seu cheiro (como ele previu que aconteceria).
        Sinceramente, não sei o quanto lidar bem com críticas ou refutá-las e contradizê-las pode ser bom ou ruim. Só sei que tá ficando tarde e minha filosofia de boteco já me deu um nó maior do que eu estou disposto a desatar :)

        • elemarjr
          26/07/2012

          O discurso vazio, suportado “apenas” (ou em maior parte pelo tom) é característica do sofismo. Que, ao meu ver, não agrega absolutamente nada a ninguém exceto ao próprio sofista.

          É certo que, infelizmente, uma grande parcela da população é manipulável por cenas e não por argumentos. Por isso, o sofismo “coube” e “cabe” em nossa sociedade.

          Entretanto, gostaria de resgatar a crítica como instrumento de evolução, não apenas para quem recebe, mas também para quem as profere. Como disse no texto, vejo que o ato de “criticar” deveria ser, também, uma provocação para a auto-análise.

          Lidar bem com as críticas, ou ter capacidade de refutação, ao meu ver é essencial. Chego ao extremo de dizer que, sem isso, não há possibilidade real de evolução. O que acha?!

  2. juniorbnusc
    27/07/2012

    A crítica geralmente é uma grande mentira, ou uma grande verdade.
    Se for uma grande mentira, serve para treinar no paciência e aceitação, pois certas coisas na vida a gente tem que simplesmente aceitar ou ignorar.
    Se for uma grande verdade, é o momento ideal para crescimento pessoal, pois tem características nossas, que somente os outros conseguem perceber.
    Talvez, o grande desafio seja saber quando é uma grande mentira ou uma grande
    verdade, porque reconhecer erros é muito difícil, pois nosso orgulho/ego é muito forte, mas simplesmente aceitar qualquer crítica, pode ser igualmente ruim.

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Publicado às 25/07/2012 por em Post e marcado , .

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